novembro 29, 2003

Crimes no sossego do lar, doce lar

«A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima estima em 60 o número de mulheres que morrem por ano, no nosso país, em consequência de maus tratos que sofrem dentro da sua própria casa. As estatísticas do Conselho da Europa concluem que a violência contra as mulheres no espaço doméstico é a maior causa de morte e invalidez entre mulheres dos 16 aos 44 anos, a nível internacional, ultrapassando o cancro e os acidentes de viação. Sabemos que os números, nesta criminalidade íntima, são sempre apenas icebergues - porque a grande maioria cala e consente, apavorada, até à morte.» in Expresso, artigo de Inês Pedrosa, intitulado «A violência de pechisbeque» (o Bold é da minha responsabilidade).

Minhas senhoras e meus senhores, desculpem lá o meu tom, que não é por mal, e muito menos para me armar em “chico-esperto” ou em apóstolo defensor das mulheres vítimas de violência doméstica. Mas, larguem lá, por um mísero quarto de hora, os vossos importantes e urgentes afazeres, a molenguice de ver o concurso televisivo ou a telenovela light ou discutir com os amigos, mais uma vez, os pormenores dos últimos joguinhos de futebol. E leiam este artigo da Inês Pedrosa.

E não digam: Sou homem, estas tretas não me interessam. Ou: Sou mulher mas a mim nenhum homem me aperta os calos, isto não é nada comigo.

Como dizia (é a Sofia de Mello Breyner, não é?) : Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar.

Publicado por vmar em novembro 29, 2003 07:48 PM
Comentários

Caro Victor como pôr a brutalidade a aprender as
boas maneiras para saber lidar com os problemas
sem a utilizar. Essa gente não lê, não se cultiva, ou melhor pratica a cultura da brutalidade e da imbelicidade, com o objectivo de
se afirmar perante a sua roda de amigos, sempre
estimulados pelo alcóol que ingerem.

Afixado por: congeminações em novembro 29, 2003 08:01 PM

Infelizmente, Raul, penso que o problema é mais grave. Segundo os estudiosos da questão, a violência sobre as mulheres (igualmente sobre as crianças) existe, por igual, em todos os extractos e classes sociais. Não se limita aos brutamontes ignorantes, pois há por aí muitos senhores doutorados e cultos que a praticam. Só que o fazem com todo o refinamento que a instrução e cultura lhes possibilita, quase sempre evitando deixar marcas físicas visíveis e utilizando a violência psicológica. E esta, não mata, fisicamente falando, mas moe, transformando as vítimas em farrapos humanos. Como resolver estas situações? Não sei, deixo isso para os especialistas. Por mim, limito-me a dar o pouco que posso: contribuir para a divulgação destes crimes.

Afixado por: vmar em novembro 29, 2003 09:47 PM